TL;DR (resumo para quem tem preguiça de ler tudo): se você consegue manter sua renda independente do local onde mora, escolher morar em locais mais baratos é uma forma eficiente de potencializar suas finanças.
Aviso: ao longo desse artigo serão descritos vários cenários utilizando estimativas de custos de vida em diversas cidades. Todos esses custos foram extraídos da mesma fonte – Nomad List – de modo a manter um padrão para os cálculos, mas isso não significa que eles são aplicáveis a qualquer pessoa em qualquer contexto. É importante que, caso você decida seguir alguma das estratégias descritas neste artigo, você faça sua própria pesquisa, calcule seus próprios custos e tome uma decisão consciente sobre seus próximos passos. Preparação é a chave do negócio.
Uma das perguntas mais comuns que ouço quando o assunto é a vida nômade é:
“E os custos? Não é muito caro viver como nômade?”
Essa pergunta é muito válida, principalmente quando se considera custos de viagem, ferramentas necessárias para trabalhar remotamente e, talvez um dos principais custos, o preço para alugar uma moradia por temporadas mais curtas.
Nossa estratégia atual é alugar apartamentos pelo Airbnb por períodos de um mês. Desse modo mantemos uma boa flexibilidade para nos mudarmos quando der vontade, mas também conseguimos utilizar o desconto mensal fornecido em vários apartamentos da plataforma, que podem chegar até 50% do valor.
Mas, mesmo com os descontos mensais, não há como discutir que alugar um apartamento por um mês no Airbnb sai muito mais caro que alugar um imóvel similar, na mesma cidade, em contratos mais longos, como um ano. Existem custos que já são embutidos no preço do Airbnb, como contas de luz e água, mas mesmo assim a conta não fecha. De fato, é mais barato ter aluguéis de longo prazo.
No entanto, um conceito que se torna disponível para ser explorado quando se tem liberdade para trabalhar de qualquer lugar, e que talvez seja uma das ferramentas financeiras mais poderosas que um nômade tem ao seu dispor é a geoarbitragem.
Mas o que é esse rolê de geoarbitragem?
Para definir geoarbitragem precisamos primeiro entender o que é arbitragem. Na economia, esse termo é utilizado para descrever uma operação de compra e venda de um ativo que tenha preços diferentes entre dois mercados. A ideia é que se compra este ativo no mercado de menor valor e o venda no mercado de maior valor, atingindo ganho econômico nessa diferença de preço.
Agora vamos adicionar geografia, ou local, neste termo, e chegamos à definição de que geoarbitragem significa: explorar as disparidades de custo de vida em diferentes locais enquanto se mantém a mesma renda, independente do local.
Em resumo, geoarbitragem é morar em um local com custo de vida mais baixo mantendo a mesma renda.
E faz tanta diferença mesmo morar num local mais barato?
Vamos usar dois cenários para explorar o impacto financeiro da geoarbitragem:
- Cenário nômade: o objetivo é manter o custo similar ao da cidade de origem
- Cenário de longo prazo: o objetivo é manter o mesmo estilo de vida num custo mais baixo.
Alguns parâmetros para o nosso cálculo:
- O indivíduo que vamos analisar – Oswaldo, o nômade -possui renda líquida mensal de R$ 6.000 e consegue manter essa renda independente de onde mora.
- O custo de vida será o obtido no site Nomad List que possui estimativas de custo de vida para os principais destinos nômades no mundo.
- No cenário nômade vamos considerar que Oswaldo fica 3 meses em cada local, o que aumenta o custo de vida (cost for nomad no Nomad List). Esse é um estilo de vida mais caro, pois considera um quarto em hotel no centro da cidade e comer em restaurantes 3 vezes por dia.
- No cenário de longo prazo vamos considerar o mesmo tipo de custo da cidade de origem (cost for expat no Nomad List). Esse é o custo estimado para um padrão de vida de classe média/alta, mas ficando no lugar por um ano ou mais.
- A cidade de origem será o Rio de Janeiro.
Cenário 1 – Nômade
O custo de vida estimado para moradia de longo prazo no Rio de Janeiro é de R$ 5.608 por mês. Oswaldo consegue pagar esse custo e investe o restante (R$ 392) todos os meses. O trabalho de Oswaldo é remoto, e ele tem muita vontade de conhecer a Ásia, então ele decide montar um roteiro de viagem para os próximos doze meses, ficando 3 meses em cada país por vez, assim ele não precisa tirar visto. Ele escolhe cidades que possuam custo de vida para nômades próximo ou mais barato que o seu custo de vida no Rio de Janeiro:
- Cidade 1: O primeiro destino é a cidade de Chiang Mai, na Tailândia, um local famoso por atrair nômades de todo o mundo. O custo de vida para nômades em Chiang Mai é de R$ 5.146 por mês.
- Cidade 2: Depois de passar 90 dias na Tailândia, Oswaldo decide conhecer a praia de Uluwatu em Bali, na Indonésia. O custo de vida de um nômade em Uluwatu é de R$ 4.090 por mês.
- Cidade 3: O próximo destino é a Malásia. Oswaldo escolhe a cidade com o melhor ranking no Nomad List, a cidade de Penang, para passar os próximos três meses. O custo de vida para nômades em Penang é de R$ 5.555 mensais.
- Cidade 4: Para finalizar seu ano de viagens, Oswaldo decide voltar a Chiang Mai para passar mais 90 dias, tendo um custo de R$ 5.146 por mês.
Ao longo desses 12 meses, se Oswaldo tivesse continuado no Rio de Janeiro, ele teria gasto R$ 67.296. Ao passar esses 12 meses viajando, conhecendo 3 novos países, o seu custo de vida total para o ano foi de R$ 59.811. A diferença de quase R$ 7.500 é suficiente para Oswaldo pagar as passagens e outros custos associados a viagem.
Para passar um ano como nômade, num estilo de vida normalmente mais caro, Oswaldo tem o mesmo custo se tivesse continuado no Rio de Janeiro.
Vale lembrar que o custo nômade estimado é bastante elevado, visto que tem como premissas a estadia em hotéis no centro da cidade e comer em restaurantes 3 vezes ao dia. Se Oswaldo ficasse em hotéis ou apartamentos de temporada fora do centro, ou se ao invés de comer em restaurantes, ele cozinhasse algumas refeições caseiras, o custo total ficaria ainda mais baixo e Oswaldo não só conseguiria viajar com sua renda, mas poderia até juntar mais dinheiro do que se ficasse no Rio de Janeiro.
Cenário 2 – Longo Prazo
Depois dos seus 12 meses viajando pela Ásia, Oswaldo decidiu ficar de forma fixa na Tailândia, país pelo qual se apaixonou. Tendo feito alguns amigos em Chiang Mai, ele pede a ajuda deles para conseguir um aluguel de um ano, que fica num preço bem mais em conta. Ele se matricula em um curso de Tailandês e consegue um visto de estudante, para poder ficar mais de 90 dias no país.
Dessa vez o custo de vida mensal em Chiang Mai não será de R$ 5.146, como foi quando Oswaldo ficou um curto espaço de tempo. Como ele conseguiu preços melhores no aluguel para ficar um ano, e agora conhece melhor a cidade para conseguir comida e lazer mais baratos, o custo de vida pro longo prazo (cost of living for expat) é de R$ 3.677 ao mês.
Isso significa que ao longo de 12 meses, Oswaldo economiza R$ 23.172 morando em Chiang Mai mantendo o mesmo padrão de vida que ele tinha no Rio de Janeiro. Ao invés de investir R$ 392 todos os meses, ele investe R$ 2.323 mensalmente.
A realidade provavelmente é algo entre esses dois cenários
Apesar do cenário de longo prazo ser bastante chamativo devido à diferença dos custos de vida, existem diversas complicações que devem ser levadas em conta, como a necessidade de vistos para ficar por longos períodos de tempo em outros países. Por outro lado, da experiência que já tivemos até o momento, eu acredito que é possível viver como nômade num custo bem mais em conta do que o estimado pelo Nomad List, fazendo algumas adaptações simples como diminuir as idas a restaurantes.
De qualquer modo, os dois exemplos descritos acima geram as seguintes conclusões básicas:
- É possível viver como nômade com um custo de vida muito próximo ao de se morar em uma grande cidade ao se escolher locais com um custo de vida geral mais baixo; e
- Ao usar a geoarbitragem com foco mais de longo prazo, é possível diminuir consideravelmente os custos mensais mantendo o mesmo padrão de vida.
Geoarbitragem como catalisador financeiro
Se é de seu interesse utilizar a geoarbitragem como ferramenta financeira para acelerar seus investimentos, por exemplo, podemos analisar o impacto da decisão de Oswaldo de morar em Chiang Mai de modo mais permanente, em comparação a morar no Rio de Janeiro. Para tornar a análise mais simples, vamos considerar algumas premissas básicas:
- Oswaldo aumenta sua renda de forma similar à inflação, portanto vamos considerar a renda dele fixa em R$ 6.000, mas o custo de vida também fixo para simplificar o cálculo.
- Oswaldo tem uma carteira de investimentos que retorna, em média, 0,6% ao mês.
- Vamos desconsiderar outras fontes de renda que não o salário e a carteira de investimentos.
- Oswaldo já havia juntado um pouco de dinheiro e fez um depósito inicial de R$ 5.000.
Cenário 1 – Continuar no Rio de Janeiro
Morando no Rio de Janeiro, e investindo R$ 392 mensalmente, após 360 meses (30 anos), Oswaldo teria investido um total de R$ 146.120 que teriam rendido R$ 394.493 chegando a um capital total de R$ 540.613. Se ele quisesse se aposentar com esse capital, mantendo o rendimento de 0,6% a.m., ele teria uma renda de aproximadamente R$ 3.250 frutos do seu dinheiro investido. Esse valor é abaixo do custo de vida no Rio de Janeiro, portanto Oswaldo ainda não teria renda para se aposentar e continuar morando no Rio.
Cenário 2 – Mudar para Chiang Mai
Como ficaria o investimento e a aposentadoria de Oswaldo caso ele tivesse se mudado para Chiang Mai e permanecido lá por esses 30 anos? Neste caso, ao invés de investir R$ 392, ele conseguiria investir 2.323 todos os meses. Ao final dos 360 meses ele teria investido R$ 841.280 que, por sua vez, teriam rendido R$ 2.150.207, chegando a um total de capital de R$ 2.991.487. Aposentando com este capital, Oswaldo teria uma renda de cerca de R$ 18.000, muito superior ao seu custo de vida mensal em Chiang Mai, ou mesmo o custo no Rio de Janeiro, se ele quisesse voltar.
Se o objetivo de Oswaldo é se aposentar o quanto antes e viver do rendimento dos seus investimentos, ao invés de aposentar após um período fixo de tempo, o cálculo também retorna números interessantes:
- Para cobrir o custo de vida estimado no Rio de Janeiro com seu rendimento, Oswaldo teria que acumular R$ 934.666 totais. Com o valor que consegue investir mensalmente ele demoraria cerca de 37 anos e meio investindo mensalmente para acumular esse patrimônio.
- Para cobrir o custo de vida estimado em Chiang Mai com seu rendimento, Oswaldo teria que acumular R$ 612.833 totais. Com o valor que consegue investir mensalmente ele demoraria menos de 15 anos investindo mensalmente para chegar nesse valor.
Apenas mais uma ferramenta financeira
Novamente, a realidade provavelmente fica em algum lugar entre esses dois cenários. A geoarbitragem não é a única ferramenta financeira disponível, e é essencial ter um bom planejamento financeiro independente do estilo de vida que se tem. A geoarbitragem é, apesar disso, um conceito poderoso para aqueles que conseguem utilizá-la de forma inteligente, seja para permitir conhecer novos lugares sem aumentar seus custos ou para acelerar sua estratégia de investimentos e aposentadoria.
É importante também notar que a geoarbitragem exige alguns pré-requisitos e é preciso abrir mão de algumas coisas para poder utilizá-la:
- Você precisa conseguir manter sua renda de forma independente do seu local. Isso pode ser alcançado por meio de trabalho remoto ou como empreendedor digital, por exemplo. Se o seu trabalho exige estar fixo em um local, não será possível usar a geoarbitragem de modo eficaz.
- Mudar de cidade pode significar ficar fisicamente longe da sua família e amigos. É preciso levar em conta os efeitos sociais de ir morar em outro local.
- Dependendo da sua situação familiar, a geoarbitragem pode ser mais limitada. Por exemplo, se você tem filhos, a escolha do local deve levar em conta a estrutura de educação de onde você vai morar, e isso pode limitar os locais com custo de vida mais baixo.
Se você consegue lidar com esses obstáculos, e outros que possam existir, mesmo que por um espaço de tempo mais curto, pode ser interessante considerar a geoarbitragem como uma forma de potencializar suas finanças ou de viajar.
Geoarbitragem só funciona se eu me mudar pro exterior?
Não, os exemplos descritos anteriormente utilizam cidades no exterior para caracterizar um efeito mais significativo, no qual fica mais fácil demonstrar os benefícios da geoarbitragem. Também escolhi ilustrar o efeito da geoabritragem internacional, porque é algo que me interessa particularmente.
No entanto, mesmo domesticamente, existem diferenças substanciais de custo de vida entre cidades. Se você tem a habilidade de manter sua renda fixa e mudar para uma cidade com menor custo de vida, ou mesmo para uma localização na sua própria cidade que seja mais afastada dos bairros mais caros, você pode obter benefícios da geoarbitragem.
Vamos descrever dois novos cenários, dessa vez domésticos.
- Oswaldina, a nômade do Brasil, trabalha em uma grande empresa em São Paulo e tem uma renda mensal de R$ 8.000. Seu custo de vida morando no longo prazo em São Paulo é de R$ 4.115 por mês, de acordo com a estimativa do Nomad List.
- No primeiro cenário, vamos descrever o que acontece quando ela consegue negociar um regime de trabalho remoto na maior parte do tempo, mas precisa ir ao escritório em São Paulo com alguma frequência, portanto gostaria de morar ainda perto da cidade.
- No segundo cenário, vamos explorar o que acontece se Oswaldina consegue ficar 100% remota no seu emprego, tendo mais flexibilidade para escolher onde mora, mas ainda gostaria de permanecer no Brasil.
Cenário 1 – Trabalho semi-remoto
Após demonstrar um bom resultado nos seus últimos projetos na empresa trabalhando com pessoas ao redor do mundo de forma remota, Oswaldina faz uma proposta de regime de trabalho remoto à gestão da sua empresa. Os gestores, satisfeitos com o desempenho dos últimos meses, aprovam a proposta, mas com um período de teste primeiro. Nos próximos 12 meses, Oswaldina pode ficar remota 4 dias por semana, mas precisa vir à sede da empresa em São Paulo uma vez por semana para participar de algumas reuniões.
Oswaldina atualmente mora na cidade de São Paulo, de modo que fica perto da sede de sua empresa, e tem um custo de vida mensal de R$ 4.115. Ao conseguir negociar seu modelo de trabalho semi-remoto, ela decide explorar a possibilidade de morar em Campinas. Normalmente, essa não seria uma opção para ela devido ao tempo de transporte necessário entre Campinas e São Paulo que, para Oswaldina, seria muito para se locomover todos os dias. No entanto, apenas uma vez por semana, parecia bem mais viável.
O custo de vida de longo prazo em Campinas é de R$ 3.046 mensais. A diferença de mais de R$ 1.000 por mês é suficiente para cobrir o custo de ir uma vez por semana a São Paulo, e Oswaldina decide se mudar. Ao longo dos próximos 12 meses, Oswaldina demonstra grande desempenho trabalhando remotamente, e consegue negociar menos dias que precisa ir ao escritório, primeiro para uma vez a cada duas semanas, depois para uma vez por mês. Assim ela consegue minimizar o custo de locomoção para São Paulo, e consegue investir o dinheiro da diferença dos custos de vida.
Ao se mudar de São Paulo para Campinas, Oswaldina usou a geoarbitragem.
Cenário 2 – Trabalho 100% remoto
Depois de um ano trabalhando em regime semi-remoto, o desempenho de Oswaldina foi tão bom que a gestão da sua empresa decidiu aprovar sua proposta de ficar 100% do tempo remota. Para a empresa isso é uma diminuição de custos pois não precisa disponibilizar o espaço físico para Oswaldina trabalhar, e para Oswaldina isso significa ter a liberdade de trabalhar de onde quiser, o que leva a um melhor desempenho no trabalho.
Sem precisar ficar perto da cidade de São Paulo, Oswaldina decide explorar outros locais no Brasil para morar. Ela sempre gostou das praias do Nordeste, que visitava nas suas férias, e decide passar os próximos 12 meses na cidade de Natal, para conhecer mais da cultura do Rio Grande do Norte. O custo de vida de longo prazo em Natal é de R$ 2.129 mensais, quase R$ 1.000 a menos que em Campinas e R$ 2.000 a menos que em São Paulo. Morando em Natal e mantendo seu salário de R$ 8.000, Oswaldina consegue investir mais de 70% da sua renda e acelera consideravelmente seu planejamento de aposentadoria com seus investimentos.
Ao se mudar de Campinas para Natal, Oswaldina usou a geoarbitragem.
Ganhe em dólares, pague em pesos
Essa é uma frase do Tim Ferriss em seu livro Trabalhe 4 Horas por Semana. A ideia é que você pode potencializar ainda mais os efeitos da geoarbitragem ao, além de diminuir seus custos de vida ao escolher lugares mais baratos, conseguir aumentar sua renda relativa ao receber em uma moeda mais valorizada.
O conceito é simples: com o dólar valendo mais de cinco reais, uma renda mensal de US$ 2.000 é superior a uma renda mensal de R$ 10.000. Se você soma isso às diferenças em custo de vida em diferentes países, é possível perceber que uma renda relativamente baixa em dólares, euros, ou outras moedas altamente valorizadas, é mais que suficiente para manter um alto padrão de vida em países com moedas menos valorizadas.
Usando Buenos Aires como parâmetro, que era a cidade ao qual o Tim Ferriss se referia ao falar em viver em pesos, vemos que o custo de vida estimado na Nomad List para viver como nômade na cidade é de US$ 689 mensal. Como um estrangeiro vivendo no longo prazo esse custo é de US$ 394.
Isso significa que uma pessoa com renda mensal de R$ 8.000 morando no Rio de Janeiro (custo de vida mensal de R$ 5.608) tem menos dinheiro disponível para investir ou utilizar no fim do mês do que uma pessoa com renda mensal de US$ 1.000 morando em Buenos Aires. Vamos fazer os cálculos:
- O dólar comercial no dia em que estou escrevendo este artigo está em R$ 5,17. Vale lembrar que dificilmente você conseguirá fazer o câmbio exatamente nesta taxa, mas vamos utilizá-la para fins de cálculo aqui.
- US$ 1.000 (salário) x R$ 5,17 (câmbio) = R$ 5.170. Somente por esse cálculo, a pessoa ganhando em reais tem mais dinheiro que a pessoa ganhando em dólares. A mágica acontece quando consideramos as diferenças de custo de vida.
- R$ 8.000 (salário) – R$ 5.608 (custo de vida) = R$ 2.392. Esse é o valor que a pessoa ganhando em reais e morando no Rio de Janeiro tem disponível no fim do mês.
- US$ 1.000 (salário) – US$ 394 (custo de vida) = US$ 606. Esse é o valor que a pessoa ganhando em dólares e morando em Buenos Aires tem disponível no fim do mês. Vamos converter esse valor para reais para comparar:
- US$ 606 (saldo) x 5,17 (câmbio) = R$ 3.133. Utilizando as diferenças cambiais e a geoarbitragem para diminuir o custo e vida, a pessoa ganhando em dólares tem cerca de 30% a mais de capital no fim do mês para investir ou utilizar do que a pessoa ganhando em reais.
É claro que deve-se levar em consideração a viabilidade de se ganhar em outra moeda e a dificuldade relativa entre ganhar em dólares ou euros relativos ao real ou outra moeda menos valorizada. Mas, se isso é algo possível para você, é uma forma de potencializar ainda mais os efeitos financeiros da geoarbitragem.
Conclusão do rolê
Um dos principais fundamentos da geoarbitragem é conseguir diminuir o custo de vida sem perder qualidade de vida. Essa lição é, na minha opinião, mais importante do que a ferramenta ou o método em si. A geoarbitragem é somente mais uma forma de conseguir diminuir nossos custos, mas diversas outras filosofias de vida (como minimalismo) ou táticas do dia-a-dia (como cozinhar mais em casa) podem atingir os mesmos objetivos. Talvez diminuir seu custo de vida e tentar investir mais não seja o seu objetivo de vida (apesar de eu achar que você não teria lido até aqui se pelo menos não fosse algo que te interessasse), mas a geoarbitragem pode ser uma forma de conhecer novos lugares e sair um pouco da zona de conforto.
No fim das contas, a geoarbitragem não é para todo mundo. Os pré-requisitos são diversos, e nem todas as pessoas tem a disponibilidade de trabalhar de qualquer lugar. Mas, se você consegue utilizar os conceitos apresentados acima, mesmo que de uma forma mais simples, sem tantas mudanças radicais, eu acredito que a geoarbitragem pode ser uma ferramenta poderosa no seu arsenal financeiro.