Desde que eu comecei a postar nas redes sociais o meu sofrimento com o frio aqui no sul do país apareceu um monte Desde que comecei a postar stories falando sobre ser nômade digital um monte de gente não entendeu nada e veio me perguntar o que estava acontecendo! E quando eu falei que não tinha mais casa, aí que ninguém entendeu nada mesmo…

Por isso eu e o Lear decidimos compartilhar um pouco de como é esse estilo de vida nômade respondendo as perguntas que vocês mandaram pelo Instagram, desde aquelas sobre planejamento financeiro, até aquelas sobre as frescuras do meu intestino. 

As respostas completas para cada pergunta estão no vídeo a seguir, mas se você é do tipo “sem tempo irmão, quero ler” pode conferir as respostas curtas no artigo logo a seguir:

Como assim “não ter casa”? 

Um belo dia a gente estava conversando e pensou: “imagina que louco se a gente morasse num Airbnb”.

Rimos muito.

No dia seguinte eu estava vendendo nosso sofá. 

Decidimos aproveitar que os dois estão trabalhando de forma remota para poder ficar um período nômade morando onde desse vontade e tivesse moradia com preço bom. Então não é que a gente não tem casa, mas ao invés de alugar por um ano ou mais, como é o comum, a gente aluga cada casa por menos tempo, normalmente um mês.

Onde vocês estão agora?

A gente escolheu Floripa para ser nossa primeira casa nômade, porque tinha muita opção de apartamento legal e por ser baixa temporada os preços estavam muito atrativos. Além disso, a gente escolheu ficar no bairro dos ingleses, bem ao norte da ilha, que é um bairro turístico, mas em baixa temporada tem pouco movimento.

Como vocês escolheram o destino? Já tem o próximo em mente? Como planejam o próximo local de ida?

Nosso processo de escolha funciona assim: eu passo meu tempo livre fuçando o site do Airbnb todinho procurando lugares que preencham nossos requisitos, que são: 

  1. Caber no orçamento
  2. Ter lugar pros dois trabalharem
  3. Ter internet boa
  4. Ter máquina de lavar
  5. Ficar em uma cidade que tenha boa estrutura: mercado, farmácia, delivery de comida, transporte, hospital…
  6. Ficar em um lugar pouco movimentado para que a gente possa caminhar e tomar sol

Escolhido um lugar a gente reserva por um mês e vai pra lá. Se depois de duas semanas a gente gostar muito, ficamos mais tempo. Se não, já escolhemos o próximo lugar.

Quanto reservam por mês pra gastar com hospedagem?

Todo nosso orçamento é em percentuais da nossa renda. Então a gente tem um percentual para hospedagem, outro pra comida, outro pra poupar, e assim por diante. Com base nesse valor a gente coloca como filtro no Airbnb e, sempre que dá, a gente tenta ficar abaixo pra economizar um pouco de grana.

Como organizaram as finanças para essa mudança

No geral, as finanças do dia-a-dia são muito parecidas como de não ser nômade, só que algumas coisas mudam de nome. Ao invés do boleto de aluguel, a gente tem a fatura do Airbnb, por exemplo. Dependendo do apartamento, o preço do fica bem próximo do aluguel de um apartamento no Rio. Alguns custos a mais que a gente começou a ter são de viagens (quando a gente muda de cidade) e o depósito que a gente alugou no Rio para deixar algumas coisas. Mas a gente também deixou de ter alguns custos, como contas de casa (que já são embutidas no preço do Airbnb).

Vocês gastam em média quanto com as mudanças? Vocês usam empresa de mudanças ou vão sozinhos?

A gente aluga apartamentos pelo Airbnb, que já são todos mobiliados. Nós também queremos ter facilidade de locomoção, para ir de um lugar pro outro, então decidimos carregar somente o que coubesse em 3 malas (uma pequena minha, uma pequena do Lear e uma média dividida). Assim dá pra ir de avião pra todo canto, ou a pé…. 

Tiveram que se desfazer de muita coisa?

Sim! Tivemos que dar um destino pra tudo que a gente tinha. Tudo que não coube na mala ou foi pra doação, ou para venda ou para um depósito. Pra vender foram coisas muito específicas que eram novas ou muito caras. Pro depósito foram as coisas que a gente queria guardar e/ou tem apego emocional, tipo algumas roupas, fotos, livros… Todo o resto a gente doou pro Exército da Salvação.

Inclusive se você quiser fazer uma doação eles retiram tudo na sua casa, é incrível. Basta agendar clicando aqui.

Vocês absorvem os sotaques dos vizinhos?

Eu bem que tentei aprender o sotaque aqui de Floripa porque eu acho muito bonito, mas não tem muita gente  no bairro e mesmo que tivesse, com a situação atual, não dá pra ter muito contato com as pessoas.

Quais as melhores comidas dos lugares que vocês foram?

As nossas experiências gastronômicas se resumem ao que tem de delivery e a compras aleatórias no mercado. Até agora a melhor comida foi o doce de leite Mumu, que é o doce de leite da vaquinha – porém é do Rio Grande do Sul, não sei se conta…

Vocês conseguem fazer amizades?

Não! 😔 Além de não ter gente na rua aqui, nossas interações se limitam a dar bom dia, boa tarde, boa noite por conta da situação que a gente tá vivendo né…

Qual o maior desafio pra vocês?

Desapegar! Não só das coisas que eu tive que abrir mão pra abraçar essa vida. Por exemplo, eu tinha mais de dez pares de sapato, hoje são 3. Como desapegar no geral mesmo, porque tudo é muito passageiro: a casa, a cidade, as comidas, as pessoas, as paisagens, o sotaque, o clima…

Sente falta do que?

Eu sinto falta do meu restaurante favorito no Rio. Acho que só, de resto o que era importante eu ainda tô carregando comigo <3

Como é lavar o cabelo?

Normal? Só não dá pra carregar meu kilão de hidratante, então eu fico comprando pequenas ampolinhas de hidratação pra compensar. 

Como fica a rotina?

A maior mudança de rotina ocorreu quando a gente começou a trabalhar de casa, e a gente só carregou isso pra vida nômade agora. Uma coisa mais específica é que a gente só muda de apartamento e de cidade nos fins de semana, assim não atrapalha nossos trabalhos.

O que acontece se a casa que vocês pegaram não suprir as expectativas?

Boa pergunta. Até agora não aconteceu, mas para tentar evitar isso a gente tenta pegar casas que tem avaliação 5 estrelas, ou quase isso, com muitos comentários. Os comentários do Airbnb são tudo na vida do nômade porque eles te ajudam a evitar muito perrengue!

Mas essa também é uma das vantagens de ficar temporariamente nos lugares. Se uma casa não for o que a gente imaginava, a gente só vai passar um mês lá e depois tem a chance de encontrar um lugar maravilhoso de novo.

Quais as maiores dificuldades em uma cidade nova?

Achar um restaurante com opções vegetarianas, entrega grátis e cupom de desconto. É pedir muito?

Fora isso é aprender o rolê da cidade, meio que como ela funciona. Por exemplo, tem cidades onde os carros param na faixa de pedestre, outras não. Então numa cidade nova sempre rola aquele momento de indecisão quando você chega numa faixa: “posso ir ou não?”.

Qual o melhor ponto positivo?

Ser eternamente um turista empolgado. Tudo é novo e empolgante, até as rotatórias me encantam, até porque aqui tem uma rotatória com as esferas do dragão eu acho chiquérrimo.

Como é fazer cocô em lugares diferentes o tempo todo?

Se você é uma pessoa que não consegue fazer cocô fora de casa, você muito provavelmente vai se encontrar em algum momento assistindo o clássico da internet “como eliminar 20 quilos de fezes”. É isso que eu tenho para dizer.

Vocês estão gostando?

Sim, sim e com certeza! 

É isso, espero ter tirado as dúvidas de vocês sobre essa história de não ter casa. Mas se ainda ficou alguma, deixa aqui nos comentários ou manda um direct no nosso Instagram, vai ser um prazer trocar uma ideia 🌎💙

Beijos de floripa!

Hi, I’m Samira

2 Comments

  1. Ai eu amei as dicas, faz uma parte 2 de perguntas e respostas, tenho muitas dúvidas e curiosidades.

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