Essa é a Parte 2 de uma série de duas partes sobre o Wacken.
No último post da série :O que diabos é Wacken???
Eu vou compartilhar com vocês qual foi o ponto alto do festival pra mim.
Eu e o senhor meu namorado estávamos andando maravilhados em nosso primeiro dia de festival sem saber o que fazer no meio de tanta opção. De repente, ouvimos um som irado vindo de um dos palcos menores e decidimos que iríamos assistir aquele show de uma banda, até então, desconhecida.
Ficamos um pouco mais afastados do palco, observando os vários jeitos diferentes que a galera tinha de curtir o show. Do nada, eu vejo um ser deitado surgindo em cima da cabeça das pessoas que estavam na platéia e sendo carregando em direção ao palco.
Foi quase como um ‘stage diving’ só que ao invés do cantor se jogar na plateia e ser carregado pra trás, uma pessoa da platéia subiu em cima da galera e foi carregada pro palco. Mozão carinhosamente nomeou de ‘stage diving reverso’.
Amigo, você está indo pro lado errado
Na minha cabeça eu só via aquilo como a oportunidade de uma vida de ter 5 minutos como uma estrela do rock! A única coisa que eu conseguia pensar era:
“EU QUERO! EU QUERO MUITO! EU QUERO PRA CARA%$O!”
Mas eu sabia que não era simples, na minha cabeça eu já estava calculando tudo que eu precisaria fazer pra isso dar certo, era um checklist elaborado:
- Todos os meus itens de valor precisariam estar com mozão para que nada se perdesse caindo do bolso ou algo do tipo.
- Dito mozão precisaria estar posicionado em algum lugar que fosse fácil de se encontrar depois que eu saísse, pois no meio da multidão o sinal de celular não funcionava.
- Era necessário avisar todos os meus familiares o quanto eu os amo caso a mão de alguém desse câimbra, nunca se sabe…
- Eu precisaria da ajuda de pelo menos umas 5 pessoas pra que fosse possível erguer meu corpo acima da cabeça de toda a galera.
Esse último era o mais difícil, pois nós estávamos em 4 pessoas. Ou seja, além de mim, só haviam mais 3. Isso quer dizer que eu precisaria bolar um plano para recrutar duas pessoas para me erguer acima das cabeças.
Passei alguns dias elaborando várias estratégias para o meu recrutamento, mas algo sempre dava errado. Algum item do checklist sempre faltava.
Depois de algum tempo já estava me convencendo de que aquilo não era pra mim. Talvez eu não fosse tão radical quanto eu pensava. Talvez eu tivesse nascido para ser apenas uma curtidora normal de rolês.
Até que, no último dia, estávamos em um dos palcos principais, procurando meu cunhado e a namorada que assistiam o show bem de pertinho. Assim que conseguimos chegar até eles minha concunhada me disse eufórica:
“Samira, hoje o dia está perfeito pra nadar em cima das pessoas! É seu momento, vai!”
Essa era a dose de motivação que me faltava, era meu momento!
As condições não eram perfeitas. Não me parecia ser fácil voltar depois que acabasse, pois nós estávamos bem perto da grade e havíamos andado bastante para chegar até ali. Além disso, por estar perto da grade eu não poderia subir dali, eu precisaria caminhar mais pra trás para que houvesse cabeças o suficiente para sustentarem meu peso. Sendo assim, seria necessário recrutar pelo menos 5 pessoas desconhecidas para me suspenderem.
Mas ela estava certa, era meu momento!
Dei um beijo no meu namorado, que me desejou sorte e segurou meus pertences de valor, que se limitavam a um celular e um bolinho Ana Maria que tinha viajado comigo desde o Brasil (já estava apegada).
#Notadoeditornamorado: infelizmente o bolinho se perdeu pouco depois da gente se separar. Um mistério nunca resolvido.
Mandei energias de amor para meus familiares, pois não havia sinal para mensagens de texto, e me lancei em meio a multidão com sangue no olho!
Após andar por algum tempo senti que estava no lugar perfeito, longe o suficiente para curtir bastante tempo sobre a turma. Agora só precisaria convencer 5 seres humanos a generosamente me erguerem.
Avistei um alvo potencial, um homem que deveria ter mais de 1,80m e, claramente, praticava crossfit durante a semana. Juntei a coragem que havia dentro de mim e ensaiei mentalmente o que eu ia falar até que encostei em seu ombro.

A estatura média de um espectador do Wacken
Quando ele olhou pra mim percebi que estava começando, era real, iria realmente acontecer e isso me deixou tão nervosa que todo o discurso ensaiado fugiu da minha cabeça. Tudo que eu conseguir dizer foi:
“Help me fly over the people”
Levaram uns 4 segundos pra ele entender o que eu queria. Pareceu uma eternidade em que Faroeste Cabloco tocava na minha cabeça: “essas palavras vão entrar no coração e eu vou sofrer as consequências como um cão”.
Até que ele entendeu e, como um legítimo frequentador do Wacken, estava disposto a me ajudar. Rapidamente acionou seus amigos, que pareciam pessoas treinadas a fazerem ‘stage diving reverso’, pois logo se juntaram em um ‘colchão’ de mãos para que eu pudesse deitar.
Mal podia acreditar, estava acontecendo! Me joguei como quem se joga em uma cama de nuvens em uma propaganda da AirFance e curti meus 5 minutos de estrela do Rock!
É isso meus amigos, fica esse ensinamento pra vocês:
Acreditem nos seus sonhos e tenham um namorado preparado para te filmar sempre.
Espero que você tenha gostado da série de histórias do Wacken. Se tem alguma coisa que eu não contei e você ainda quer saber me manda um direct no instagram, vou adorar responder ❤.
Até o próximo rolê aleatório!
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